Stop Killing Games: Como um movimento pode mudar todo o futuro da industria digital de jogos

controle quebrado branco fundo azul
Um movimento criado para a preservação dos jogos vem ganhando muita força e notoriedade em todo mundo venha conferir sobre

A Iniciativa Gamer

Desde abril de 2024, o movimento Stop Killing Games, criado pelo youtuber Ross Scott, do canal Accursed Farms, vem ganhando força ao contestar a legalidade e ética das práticas adotadas por grandes editoras de jogos que, cada vez mais, removem seus próprios títulos do mercado ou os tornam injogáveis.

O foco principal da campanha é responsabilizar as publishers que desenvolvem jogos dependentes de servidores online — e que, ao encerrar o suporte, desligam os servidores, tornando os jogos inutilizáveis e impossíveis de serem preservados. Um dos exemplos mais alarmantes foi o caso de The Crew, da Ubisoft, que teve seu suporte encerrado e servidores desligados, eliminando completamente a possibilidade de jogar um título que já havia sido vendido com o modo single-player.

O que levou a criação do movimento?

Um dos estopins para a criação do movimento Stop Killing Games foi o caso do jogo de corrida The Crew, publicado pela Ubisoft e lançado em 30 de setembro de 2014. Mesmo com modo single player, o título exigia conexão constante com os servidores da empresa para funcionar. Quando a Ubisoft decidiu encerrar os servidores em março de 2024, o jogo se tornou completamente injogável — mesmo para quem o havia comprado legalmente.

A situação gerou forte repercussão na comunidade gamer, levando um grupo de consumidores a abrir um processo judicial contra a Ubisoft, alegando privação de um produto pago. O caso chamou a atenção de figuras públicas como Ross Scott e foi fundamental para impulsionar o movimento em escala internacional.

A Petição do movimento

Atualmente, o movimento Stop Killing Games conta com uma petição ativa voltada para os cidadãos da União Europeia. O objetivo é pressionar o Parlamento Europeu a aprovar uma legislação que garanta o direito dos consumidores de manter acesso aos jogos adquiridos, mesmo após o encerramento de suporte ou desligamento de servidores.

Até a data desta publicação, a petição já ultrapassou sua meta inicial, atingindo mais de 87% acima do número previsto de assinaturas, e continua crescendo diariamente. A iniciativa ganhou força com o apoio de parlamentares como Nicolae Ștefănuță, além de repercussão entre criadores de conteúdo, jornalistas e consumidores em toda a Europa.

pode estar conferindo a petição clicando aqui

Os resultados estao sendo conquistados

No dia 12 de julho de 2025, o vice-presidente do Parlamento Europeu, Nicolae Ștefănuță, declarou publicamente seu apoio ao movimento Stop Killing Games por meio de uma publicação em seu perfil oficial no Instagram. Em sua mensagem, ele afirmou:

“Eu estou com as pessoas que iniciaram essa iniciativa cidadã. Eu assinei e continuarei a ajudá-los. Um jogo, uma vez vendido, pertence ao cliente, não à empresa.”

A postagem foi rapidamente repostada no perfil oficial do movimento no X, que agradeceu pelo apoio e destacou a importância da fala de Ștefănuță como um marco na luta pelos direitos do consumidor digital.

Com o respaldo de uma figura de alto escalão no Parlamento Europeu, o movimento ganha força institucional, o que torna mais difícil sua ignorância por parte dos legisladores. Apoios como esse podem ser decisivos para que a causa alcance ainda mais notoriedade e, principalmente, resultados concretos.

Ação judicial contra a Ubisoft no Brasil

Não foi apenas na União Europeia (UE) que o movimento tentou entrar com uma ação conjunta contra a Ubisoft pelo fechamento do jogo The Crew. Houve uma tentativa, porém falha, de abrir uma ação judicial no Brasil contra a Ubisoft.  Não avançou devido à necessidade de saber o número de vendas do jogo The Crew para poderem prosseguir. Como não tiveram sucesso em obter essa informação, a ação não continuou.

Como o movimento afeta o futuro dos jogos?

Uma das pautas principais, além da preservação do direito do consumidor de manter o jogo acessível, é a preservação das mídias digitais. À medida que as mídias físicas estão sendo deixadas de lado em favor das versões digitais, a preservação dessas mídias se torna cada vez mais difícil. Caso esses jogos parem de receber suporte ou sejam excluídos dos servidores, simplesmente deixarão de estar acessíveis.

Outro ponto importante é que muitas plataformas, como a Steam, já informam aos consumidores que eles não são donos dos jogos que compram — apenas possuem uma licença de uso jogável. Isso levanta o questionamento: até quando o jogo comprado continuará acessível?

O movimento busca mudar essas práticas para assegurar o futuro dos jogos comprados, propondo formas de manter os jogos ativos. Entre elas, estão soluções como patches ou atualizações com modos offline para jogos com modo single-player — como foi o caso de The Crew 2, sequência de The Crew, que recebeu esse tipo de suporte após as polêmicas. Também se discute a possibilidade de permitir que servidores sejam hospedados pela comunidade para jogos que não têm modo single-player.

Compartilhe nas redes!